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Filmes feitos em Alvorada dividem espaço com grandes produções de Hollywood no streaming


Foto Isadora Neumann / Agencia RBS

O assinante do Amazon Prime Video que navegou recentemente pelo catálogo do serviço de streaming pode ter visto, no meio de produções milionárias como Sem Remorso (2021) e The Boys (2019-), os cartazes de Algo de Errado Não Está Certo (2020) e Cidade Dormitório (2018). Porém, se não deu play em nenhum deles, provavelmente nem imagina que ambos os filmes foram gravados em Alvorada, cidade da Região Metropolitana de Porto Alegre. E quase sem dinheiro algum.

As produções fazem parte do projeto Alvoroço Filmes, coordenado pelo cineasta Evandro Berlesi, que vem transformando Alvorada em cenário de cinema nos últimos 13 anos — o primeiro longa-metragem, Dá um Tempo, foi lançado em 2008. De lá para cá, já foram seis filmes gravados, montados e lançados na cidade, sendo Algo de Errado Não Está Certo o mais recente.

Por sinal, a estreia do longa-metragem que hoje está no catálogo do Amazon Prime Video foi o último grande evento da cidade poucos dias antes de o país fechar por causa da pandemia de coronavírus. O lançamento ocorreu na praça central de Alvorada, na parada 48, reunindo um público de mais de 3 mil alvoradenses — e o ator Nelson Freitas, que fez participação no projeto e voou do Rio de Janeiro para o Rio Grande do Sul apenas para prestigiar a obra.

O caminho para o streaming

Além dos dois filmes que estão no catálogo nacional do Amazon Prime Video, os outros quatro longas do projeto Alvoroço Filmes também estão disponíveis no streaming, na plataforma brasileira Looke. No serviço, pode-se encontrar o pioneiro Dá um Tempo, Eu Odeio o Orkut (2011), Eu Odeio o Big Bróder (2014) e O Maníaco do Facebook (2016).

Mas, para chegar ao Brasil todo, os filmes precisaram trilhar caminhos distintos. Enquanto Algo de Errado Não Está Certo foi parar no streaming graças a sua distribuidora, a Elo Company, Cidade Dormitório chegou lá por estar licenciado ao canal Cine Brasil TV, que levou o filme à plataforma. O Maníaco do Facebook, por sua vez, foi licenciado à empresa Encripta, dona do Looke, que também abriga os outros três títulos, mas que foram parar lá de maneira independente, levados por Berlesi.

— As coisas mudaram muito desde quando comecei a fazer cinema. O Dá um Tempo, por exemplo, foi lançado em DVD, que praticamente não existe mais. Por sorte, surgiu o streaming e, agora, o alcance é muito maior. O Brasil inteiro pode assistir aos filmes feitos em Alvorada — comemora Berlesi.

A cidade se vê nas telas

Primeiro filme feito pelo projeto Alvoroço Filmes, Dá um Tempo foi realizado para mostrar a cidade. Na produção, Berlesi priorizou filmar os principais pontos do município e celebrar a sua população. Por isso, também, ele fez questão de escolher um elenco quase totalmente amador, com audições públicas. Atuaram na obra pessoas que se encontra pelas ruas de Alvorada. A experiência, apesar de desafiadora, foi gratificante. E, tirando Cidade Dormitório, que foi realizado com um time convidado, todos os outros projetos foram feitos com seleção aberta ao público.

— Faço teste de elenco com a população e gosto tanto do pessoal que, ao invés de selecionar 30, acabo chamando 50. E quero que todos apareçam, o que acaba deixando o filme longo demais, o que não é bom comercialmente, mas quero agradar todo mundo — afirma.

Apesar de seu elenco majoritariamente amador, Berlesi conta, quase sempre, com atores famosos nacionalmente fazendo participações em seus projetos. Além do já citado Nelson Freitas, Luana Piovani, Werner Schünemann, Jairo Mattos, Júlio Rocha e Sirmar Antunes já atuaram nos projetos do Alvoroço Filmes. O pagamento para esses nomes conhecidos? Hospedagem (se necessária, pois cenas com os artistas famosos são gravadas em um dia) e transporte.

— Mando o roteiro para eles e convido para participar dos filmes. Alguns sequer respondem. Outros compram a ideia e desembarcam em Alvorada, na parceria — comenta Berlesi.

Na cara e na coragem

— Eu queria fazer filmes, mas não sabia como. Pensei em trabalhar servindo cafezinho na Casa de Cinema de Porto Alegre e, quando surgisse uma oportunidade, iria mostrar as minhas ideias pros caras lá — diz o idealizador do Alvoroço Filmes.

Berlesi acabou indo para um caminho independente, descobrindo, na prática, como fazer cinema — e montando a sua versão da Casa de Cinema, mas em Alvorada. Sem formação acadêmica, ele foi absorvendo o que sabe ao observar outras pessoas fazendo, como o seu parceiro Rodrigo Castelhano, que dividiu com ele a direção dos primeiros filmes do projeto.

— Sempre fiz cinema na cara e na coragem. Já fui convidado para dar oficinas sobre roteiro, mas não saberia como explicar, eu vou tendo ideias e escrevendo. Não sei a fórmula, trabalho usando a minha criatividade — conta o cineasta.

Nem a pandemia para a fábrica alvoradense de filmes. Atualmente, Berlesi está rodando O Cara que Não Aglomerava, que tem estreia prevista para o final do ano e terá a participação de Jairo Mattos. Por enquanto, o longa-metragem ainda não está acertado com nenhuma plataforma de streaming, mas o cineasta garante que pretende colocar o filme ao lado de seus outros seis trabalhos para o Brasil inteiro ver.

 
Jornal de Alvorada