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Morre aos 94 anos o fundador da empresa Soul


Natural de Gravataí, Carlos Antônio Ohlweiler, sempre teve um olhar atento ao futuro, ainda guri, mesmo estudando, começou a trabalhar. Iniciou seguindo os passos do pai, um vendedor que atuou por muito tempo como “caxeiro viajante”, passou a vender roupas, indo em busca de clientes em todas as oportunidades: sabendo que alguém ia casar, lá estava ele, oferecendo a “fatiota”.

Este precoce espírito empreendedor continuou a guiar as suas decisões profissionais.

Em 1949 comprou o seu primeiro caminhão e a primeira carga foi de ovos, até São Paulo.

Imaginem como chegou esta carga ao seu destino!

Como caminhoneiro, fazia viagens pelo Rio Grande do Sul e para o Norte do país, transportando também materiais de construção.

Porém, o destino o conduziu para o transporte de pessoas. Após um acidente com o caminhão, ele tentou vender, e em troca recebeu um ônibus. Um ônibus velho, o qual pretendia novamente vender.

Não conseguindo fazer negócio com este veículo, tratou de transformá-lo em um ônibus novo. Com ele, trabalhou em Gravataí, como motorista, “puxando viagem”.

Apesar de ser reconhecido como um excelente profissional do volante, por sua experiência em caminhão, não se saiu muito bem como motorista de ônibus: “Esquecia de parar ou de abrir e fechar as portas cada vez que o passageiro ia embarcar ou desembarcar”.

Mas, perseverança é uma das suas qualidades, se como motorista de ônibus deixou a desejar, não seria por isto que deixaria de transportar as pessoas. E, o destino mostrou o caminho: um anúncio do Correio do Povo chamou a sua atenção: “Vende-se ônibus com cota de sócio da SOUL – Passo do Feijó”.

Para ser aceito na empresa, os sócios existentes, cerca de 32, faziam uma pesquisa sobre a honorabilidade da pessoa, sobre o caráter, a idoneidade. Em Gravataí, descobriram que o Carlos era o Carlinhos, conhecido como “gente boa”. As informações foram as melhores possíveis e em uma assembleia de sócios foi dado o veredicto: Carlos Ohlweiler, passa a ser sócio da SOUL. Isto ocorreu em 30 de junho de 1961.

Carlos chegou à SOUL, e conviveu com todas as dificuldades de um lugar sem nenhuma infraestrutura. Não havia luz elétrica, nem água encanada e era como se chamava, um simples “passo”, uma “trilha de chão batido”.

Era preciso juntar forças, vencer desafios. Muitos sócios iam desistindo do negócio pelas dificuldades que encontravam, um ia vendendo a sua cota para outro. Mas Carlos, já havia definido o seu rumo: “Transformar as dificuldades em metas a serem superadas. Permanecer, crescer e unir-se a outros para melhorar o lugar que escolheu para dedicar a sua vida”, o então Passo do Feijó, hoje, Alvorada.

Dedicação, empenho e muito trabalho, não faltaram a ele. Isto, foi possível, porque tinha o apoio da sua família, principalmente de sua esposa Maria de Lourdes, que também nunca poupou esforços para ajudá-lo, uma grande companheira, com quem teve 4 filhos, Arlindo, Luiz Carlos, José Antônio e Clarisse Maria.

Cada vez mais, Carlos, juntava-se à comunidade. Apoiou o processo de emancipação de Alvorada. Participava ativamente da busca de infraestrutura para a cidade. Ao mesmo tempo, trabalhava pela transformação do sistema de transporte e pelo crescimento da SOUL com os demais sócios, visando a melhorar o atendimento para os usuários e proporcionar melhores condições de trabalho aos seus empregados.

Acreditando na educação como base para que as pessoas possam se desenvolver e fundamental para estimular o crescimento do seu meio.

Atuou para a implementação do Mobral – Alfabetização para Adultos na década de 70, logo após, Fundação Educar, onde presidiu durante toda a existência do movimento. Realizou concursos de fantasia de papel, muitas palestras. Incentivou a criação das pré-escolas (23 turmas) em Escolas e nas Associações de Bairros, oportunizando na ocasião que alunos que realizavam o curso de magistério em Porto Alegre viessem estagiar em Alvorada. Muitos, aqui permaneceram e atuam até hoje nas nossas escolas como excelentes profissionais, em razão até mesmo pela experiência que viveram.

Ainda na Educação, promoveu pela SOUL, diversos concursos de redações com o objetivo de estimular aos alunos uma consciência em prol de Alvorada, projetando o seu futuro e também trouxe o Projeto Pescar que oferece a formação profissional e pessoal a jovens de baixa renda do município.

Como empreendedor e empresário, vislumbrou a necessidade de industrializar Alvorada. Incentivou a criação da Comissão Pró-Industrialização, buscando junto ao Governo do Estado, com o apoio de um abaixo-assinado com cinco mil assinaturas, a legalização de uma área para a instalação de empresas, hoje, o nosso Distrito Industrial.

Acompanhado de sua esposa, a dona Maria, foi um dos fundadores do Lions Club de Alvorada. Também fundou o primeiro CONSEPRO – Conselho Pró-Segurança Pública de Alvorada.

Participava pessoalmente de reuniões com a comunidade sobre o serviço prestado de sua empresa e de todos os movimentos em busca de melhorias para Alvorada.

Respeitado e reconhecido no ramo de transporte de pessoas, sempre participou das entidades de sua categoria, muitas vezes e por diversos anos, como Presidente.

Em 2009, todo este trabalho gerou frutos pois ele foi oficialmente nomeado como cidadão Alvoradense.

Hoje, a SOUL, reconhecida como empresa com responsabilidade social, pelos diversos projetos que promove e apoia, certamente tem a consciência que tem este papel, porque recebeu muito mais do que uma diretriz, teve o exemplo do seu grande líder.

Gratidão e admiração ao nosso eterno Carlinhos são os sentimentos que permearão entre o luto e a saudade. Carlinhos como era conhecido, faleceu de morte natural aos 94 anos.

 
Jornal de Alvorada